6 formas de desenvolver atividades investigativas em sala de aula

As atividades investigativas estão em alta quando falamos de construtivismo.

Mas como conduzir esse tipo de atividade?

Estamos reproduzindo o que os cientistas fazem?

É muito comum essa confusão das atividades investigativas com o método científico.

É importante esclarecer que a intenção enquanto professores em uma atividade investigativa não é formar “mini-cientistas”.

Mas desenvolver habilidades e competências cognitivas importantes para a formação científica do aluno.

O uso de atividades de investigação na sala de aula permite aos alunos a aprendizagem de conhecimento científico.

Além de promover o desenvolvimento de competências, proporciona oportunidades para refletirem sobre o trabalho desenvolvido.

O ensino por investigação não tem uma única forma de ser desenvolvido, mesmo quando se trata da resolução de problemas.

E justamente por isso, a ideia aqui é apresentar algumas possibilidades de trabalho com as atividades investigativas.

1) Desenvolvendo atividades investigativas com alunos autônomos

Carlson, Humphrey & Reinhardt (2003) propõem um modelo com quatro fases.

Na fase inicial, os alunos descrevem o problema que querem resolver.

Seguidamente, passam para a fase do explorar, descobrir e criar.

Aqui os alunos exploram a questão, os materiais e as suas ideias sobre o fenômeno científico.

Os alunos vão planear a resolução do problema, investigar os materiais que necessitam, recolher e organizar os dados, experimentar e preparar experiências futuras.

Quando os alunos propõem uma explicação e uma solução, estão a construir um novo conhecimento baseado nas suas observações, nas suas recolhas de dados e conclusões.

Esta construção ocorre individualmente, sendo muito importante o diálogo com os colegas e com o professor.

Nesta fase, podem surgir novas questões sobre as descobertas a que se chegaram, sendo necessário dar aos alunos tempo para rever as suas ideias.

Na última fase, os alunos refletem sobre o seu conhecimento e pensam em investigações futuras, formulando novas questões.

Este ciclo descreve um processo dinâmico que reflete a forma como a ciência é feita.

Tal como os cientistas, os alunos não têm, necessariamente, que passar de fase em fase.

E em cada fase do ciclo, o professor pode utilizar a avaliação formativa, a partir da observação dos alunos e da recolha de informações .

2) Investigação e comunicação

Magnusson, Palincsar e Templin (2006) propõe um modelo de cinco fases.

As palavras em maiúsculas representam as fases para conduzir as atividades de investigação.

Os autores assumem que cada ciclo começa com o motivar, o que normalmente envolve uma questão.

E a partir daí vai-se para o investigar e para a comunicação.

A fase do comunicar é essencial por duas razões:

Em primeiro lugar, porque importa que os alunos compreendam a responsabilidade dos cientistas em publicar os resultados e como são influenciados pelo contexto cultural.

Em segundo, têm oportunidade de perceberem a importância de uma comunidade científica.

Neste caso representada pela turma, onde podem discutir as evidências recolhidas.

3) Os alunos propõem os procedimentos de investigação

O National Science Teacher Association (NSTA, 2002) propõe um modelo no qual os alunos começam por definir o problema e propor hipóteses para a sua resolução.

Após definido o problema, planejam o procedimento, explicando ao professor as suas ideias.

É importante destacar que a função do professor neste modelo é o de questionar os alunos para que estes pensem a respeito do que propuseram e compreendam as suas aprendizagens.

E só então, após esta etapa, os alunos selecionam o material adequado e testam a atividade.

Posteriormente, analisam os resultados e verificam se conseguiram responder ao problema.

E caso isto não tenha acontecido, é conveniente reformular as hipóteses e voltar a testá-las.

Durante todo este processo, o professor recolhe informações para avaliar os alunos e a própria atividade, podendo para isso utilizar uma escala de graduação.

Deste modo, o professor dá um feedback constante aos alunos sobre as suas aprendizagens.

O que permite que os alunos melhorem durante o desenvolvimento das atividades de investigação.

Salienta-se a necessidade de favorecer a avaliação formativa, isto é, promover a avaliação como aprendizagem.

4) Cadeia de resolução de problemas

Um outro modelo muito utilizado é o problem solving chain (cadeia de resolução de problemas), proposto pela Assessment of Performance Unit – APU e constituído pelas seguintes fases:

O reconhecimento do problema é a fase de reflexão, onde os alunos interpretam e compreendem o problema com que são confrontados.

Nesta confrontação, os alunos exploram as suas próprias ideias.

Nas transformações do problema formulam-se hipóteses que possam ser testadas e, posteriormente, desenvolvidas.

Na planificação e desenho da experimentação os alunos têm que ser capazes de selecionar os materiais necessários para a execução experimental.

Assim como de delinear um procedimento para testarem as suas hipóteses.

Na execução prática da experimentação os alunos procedem à execução do procedimento experimental, ao registo dos dados e observações.

E passam à sua interpretação e registo das conclusões.

Já a fase de avaliação ocorre durante os vários momentos do percurso investigativo.

5) A investigação como um ciclo

Um outro modelo foi definido por Wellington (2000).atividades investigativas

O qual as três fases os alunos podem aplicar e usar num grande número de situações distintas.

Na primeira fase, os alunos colocam questões, elaboram um plano, fazem previsões e colocam hipóteses.

Na segunda, observam, medem e manipulam variáveis.

Na terceira fase, analisam e interpretam os resultados e avaliam evidências científicas.

O processo de interpretar e avaliar os resultados não é a última fase, podendo-se voltar a colocar novas questões, rever o plano e fazer novas previsões.

6) Modelo dos Cinco E’s

O modelo dos cinco E’s (Bybee, 1997) baseia-se na visão construtivista definida pelo Biological Science Curriculum Study (BSCS).

O ciclo geralmente inicia-se com a fase Envolver (Engage).

Isto é, com a tentativa de motivar os alunos para o estudo de um determinado tópico.

Nesta fase, pretende-se que estes fiquem interessados e curiosos em relação ao tópico em estudo.

Para isso, apresenta-se uma situação problemática, por exemplo, através de uma atividade de investigação.

A partir dela, estimula-se o pensamento dos alunos (fomenta-se o questionamento, a identificação e definição do problema).

E procura-se que estes estabeleçam relações entre a nova experiência de aprendizagem e outras realizadas previamente.

Durante a fase Explorar (Explore), é dada a oportunidade aos alunos de trabalharem em grupo sem que haja uma instrução direta do professor.

Para que assim, ocorra a interação entre pares e seja promovido o conflito sócio-cognitivo.

Os alunos questionam, fazem previsões, colocam hipóteses, planificam um modo de as testar, testam, registam as observações, e discutem com os pares os resultados obtidos.

Além disso, comparam várias alternativas possíveis e organizam a informação recolhida.

Na fase Explicar (Explain), pretende-se que haja uma articulação entre as observações, ideias, questões e hipóteses.

É importante estimular os alunos a explicarem, por palavras próprias, os conceitos que emergiram da experiência de aprendizagem.

Bem como utilizar os resultados (observações e medições) para fundamentar as suas explicações, a ouvir criticamente as explicações dos colegas e do professor.

Na fase Elaborar (Elabore), os alunos estabelecem relações com outros conceitos e aplicam os conceitos e capacidades numa situação nova.

É importante estimular a argumentação sustentada nos dados e evidências já conhecidos.

Na fase Avaliar (Evaluate), os alunos refletem sobre o trabalho que desenvolveram.

By | 2018-04-26T20:53:00+00:00 09.05.18|0 Comentários

Sobre o Autor:

Graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, Mestre em Ciências (ênfase Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo. Trabalha com biologia geral, com ênfase em estratégicas didáticas e linguagem.

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