Por que o feedback é importante na sala de aula

O feedback ocorre após um comportamento, intervenção ou atitude.

E consiste na informação que recebemos sobre nosso desempenho e esforço para alcançar um determinado objetivo.

O feedback é sempre uma consequência da nossa atuação.

E a sua finalidade pedagógica é fornecer informações relacionadas com a tarefa ou processo de aprendizagem.

A fim de melhorar o desempenho numa tarefa específica e/ou o entendimento de um determinado assunto.

O feedback visa a redução das discrepâncias entre a compreensão e desempenho.

Dimensões cognitivas e motivacionais do feedback

Na sua dimensão cognitiva, pode ser entendido como a informação fornecida por um agente sobre aspetos do desempenho ou entendimento do outro.

Por exemplo, professores, colegas, livro, pais, o próprio, experiência.

Uma tal informação poderá ter impacto sobre a autorregulação da aprendizagem e sobre o desempenho do aluno.

A dimensão cognitiva tem a ver com o fornecimento de informações necessárias aos alunos para poderem compreender em que ponto se encontram na sua aprendizagem e o que têm de fazer a seguir.

A dimensão motivacional diz respeito ao desenvolvimento nos alunos do controle sobre sua própria aprendizagem.

A natureza do feedback influencia o posicionamento motivacional dos alunos perante a situação de aprendizagem.

Isto é, se o feedback do professor recompensa a velocidade, então será velocidade o que o aluno aprende a procurar.

Se o feedback mostra preferência por se obter a resposta certa, então os alunos irão esforçar-se por obter a resposta certa.

Mas se o feedback está estruturado para reconhecer e compensar o esforço, a persistência e a aplicação de princípios, então os alunos irão aprender a trabalhar intensamente, a perseverar e a pensar.

Há duas ações do professor que proporcionam um impacto mais sólido na aprendizagem do que qualquer outra inovação educacional.

  • envolver os alunos nessa análise e
  • aumentar a quantidade de feedback descritivo, enquanto se diminui o feedback avaliativo.

Há um consenso geral de que o feedback deve ser dado a um nível que os alunos possam compreender.

E será mais eficaz na promoção da aprendizagem e facilitação da sua melhoria se for fornecido num ambiente propício, ao invés de ser oferecido como juízo de valor.

O feedback pode ser direcionado para diferentes níveis

  • a tarefa (o quão bem as tarefas são executadas)
  • o processamento da tarefa (o processo necessário para executar tarefas)
  • autorregulação (auto-monitorização das ações)e
  • o self (avaliações pessoais do aluno).

Se o feedback for direcionado para o nível adequado, poderá ajudar os alunos a compreender, realizar ou desenvolver estratégias eficazes para processar informações que se pretende sejam aprendidas.

O feedback é mais eficaz quando informa o aluno acerca do seu desempenho.

Quando o leva a concentrar-se em maneiras de melhorar esse desempenho.

E ainda quando é fornecido em contextos que protejam a identidade e autoestima do aluno.

feedback

Quando o feedback não funciona ou funciona no sentido oposto ao desejado

O feedback envolve uma dimensão afetiva de particular importância quando a informação transmitida pelo professor se centra no próprio aluno e não no desempenho ou compreensão.

Este tipo de feedback, centrado nas características pessoais do aluno, pode ter resultados indesejáveis.

Entre eles aumentar o medo do fracasso.

Se o componente afetivo do feedback for negligenciada por um professor, os alunos poderão minimizar o seu esforço.

Tentando assim evitar riscos para si próprios na abordagem de tarefas desafiadoras.

Isto acontece com maior frequência quando o feedback enfatiza aspectos do eu que podem influenciar, não somente as decisões que os estudantes tomam sobre a escola.

Mas também a maneira como se irão posicionar eles próprios na sua comunidade escolar.

Ocorre também de ocasionalmente os alunos não responderem bem ao feedback do professor.

Ou por este feedback ser mal interpretado, ou por não ser valorizado, ou ainda por, tendo sido valorizado, não ser na prática utilizado.

O que os professores precisam saber sobre feedback

A preparação adequada de professores no uso de feedback eficiente implica o desenvolvimento de competências adequadas.

Para que possam ajudar os seus alunos a melhor compreenderem a distância a que se encontram dos objetivos de aprendizagem.

Não deixando nunca de proteger a autoestima destes.

A morfologia de Brookhart (2008) reúne as abordagens e características mais comum do feedback.

As Estratégias de feedback podem ser descritas e avaliadas em termos de

  • Timing

Quando é dado o feedback e com que frequência.

  • Quantidade

Quantidade de feedback dado.

  • Modo

Oral, escrito, ou feedback visual/cinestésico.

  • Audiência

Individual, grupo, feedback em grupo-turma.

O Conteúdo do feedback pode ser descrito e avaliado em termos de:

  • Enfoque (trabalho, processo, autorregulação)
  • Comparação (critério, norma, autorreferenciada);
  • Função/Valência (descrição, juízo de valor/valência positiva ou negativa);
  • Clareza/Especificidade; e
  • Tom (respeito pelo aluno, aluno como agente).

O feedback eficaz é apresentado o mais rapidamente possível após o fato (Timing) e é seletivo.

Ou seja, os professores não devem tentar comentar todos os aspetos do desempenho dos alunos.

Mas destacar os aspetos específicos que terão o maior efeito (Quantidade).

O feedback pode ser eficaz, quer seja oral, escrito ou visual, quer seja dado individualmente ou em grupo.

Os professores devem reconhecer que cada situação específica poderá levar a um diferente e preferencial Modo e também Audiência.

É necessário promover uma comunicação interativa e descritiva.

Em vez de uma comunicação crítica e de sentido único.

E se concentrar no trabalho do aluno e não no próprio aluno.

O professor precisa ser franco e aberto na comunicação das discrepâncias das metas/desempenho encontradas.

E, ao mesmo tempo, sensível a preocupações relativas à autoestima do aluno.

Assim contribui para um ambiente de abertura e de respeito mútuo que promove o controlo dos alunos sobre sua própria aprendizagem.

By | 2018-09-27T12:52:40+00:00 08.12.17|0 Comentários

Sobre o Autor:

Graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, Mestre em Ciências (ênfase Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo. Trabalha com biologia geral, com ênfase em estratégicas didáticas e linguagem.

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