Que tipo de professor você é?

Alunos costumam comentar entre si: “gosto desse professor porque ele tem didática”.

Outros dizem: “com essa professora a gente tem mais facilidade de aprender”.

Provavelmente, o que os alunos estão querendo dizer é que esses professores têm um modo acertado de dar aula, que ensinam bem, que com eles, de fato, aprendem.

É o famoso “aquele professor tem didática”.

Mas, o que é ter didática?

É certo que a maioria do professorado tem como principal objetivo do seu trabalho conseguir que seus alunos aprendam da melhor forma possível.

Por mais limitações que um professor possa ter (falta de tempo para preparar aulas, falta de material de consulta, insuficiente domínio da matéria, pouca variação nos métodos de ensino, desânimo por causa da desvalorização profissional, etc.), quando entra em classe, ele tem consciência de sua responsabilidade em proporcionar aos alunos um bom ensino.

Apesar disso, saberá ele fazer um bom ensino, de modo que os alunos aprendam melhor?

O que um professor precisa conhecer de didática para que possa levar bem o seu trabalho em sala de aula?

É possível melhorar seu desempenho como professor?

Qual é o sentido de “mediação docente” nas aulas?

Há diversos tipos de professores.

Professor transmissor de conteúdo

Os mais tradicionais contentam-se em transmitir a matéria que está no livro didático, por meio de aula expositiva.

Suas aulas são sempre iguais, o método de ensino é quase o mesmo para todas as matérias, independentemente da idade e das características individuais e sociais dos alunos.

Pode até ser que essas práticas de passar a matéria, dar exercícios e depois cobrar o conteúdo na prova, tenham algum resultado positivo.

Mesmo porque alguns alunos aprendem “apesar do professor”.

O mais comum, no entanto, é o aluno memorizar o que o professor fala, decorar a matéria e mecanizar fórmulas, definições etc.

A aprendizagem que decorre desse tipo ensino (vamos chamá-la de mecânica, repetitiva) serve para responder questões de uma prova ou sair-se bem no vestibular ou num concurso.

Mas ela não é duradoura, ela não ajuda o aluno a formar esquemas mentais próprios.

O aluno que aprende mecanicamente, na maior parte dos casos, não desenvolve raciocínio próprio.

Não forma generalizações conceituais, não é capaz de fazer relações entre um conceito e outro e não sabe aplicar uma relação geral para casos particulares.

O professor transmissor de conteúdo não favorece uma aprendizagem sólida porque o conteúdo que ele passa não se transforma em meio de atividade subjetiva do aluno.

Ou seja, o aluno não dá conta de explicar uma ideia, uma definição, com suas próprias palavras.

Não saber aplicar o conhecimento em situações novas ou diferentes, nem na sala de aula nem fora dela.

Professor facilitador

professor

O estilo professor facilitador aplica-se a professores que tentam se manterem atualizados nas metodologias de ensino.

Eles tentam variar mais os métodos e procedimentos.

Alguns deles preocupam-se, realmente, com certas características individuais e sociais dos alunos.

Procuram saber os conhecimentos prévios ou as experiências dos alunos.

Tentam estabelecer diálogo ou investir mais no bom relacionamento com os alunos.

Outros tentam inovar organizando trabalhos em grupo ou estudo dirigido, utilizando recursos audiovisuais, dando tarefas que requerem algum tipo de pesquisa.

Essas formas de trabalho didático, sem dúvida, trazem mais vantagens do que aquelas do ensino tradicional.

Entretanto, quase sempre esses professores acabam voltando às práticas tradicionais.

Por exemplo, não sabem utilizar a atividade própria do aluno que eles próprios formem conceitos.

Ao avaliar a aprendizagem dos alunos pedem respostas memorizadas e a repetição de definições ou fórmulas.

Mesmo utilizando técnicas ativas e respeitando mais o aluno, as mudanças metodológicas ficam apenas na forma, mantendo empobrecidos os resultados da aprendizagem.

Ou seja, o aluno continua com  sua atividade mental pouco reflexiva.

Professor técnico

É aquele preocupado com o lado operacional, prático da sua matéria.

Seu objetivo é saber-fazer, não fazer-pensar-fazer.

Para esse professor é importante que o aluno saiba fazer, não necessariamente pensar sobre o que foi feito.

Professor laboratório

Acha que única forma eficaz de aprender é a pesquisa ou a demonstração experimental.

Para esses professores a melhor forma de aprender é colocar os alunos no laboratório na crença de que, fazendo

experiências, lidando com materiais, assimilam melhor a matéria.

Segue protocolos experimentais sem necessariamente propor um problema para que o aluno possa resolver no experimento.

Professor comunicador

O típico professor de cursinhos que só sabe trabalhar o conteúdo fazendo graça, não dando conta de colocar o próprio conteúdo no campo de interesses e motivos do aluno.

A aula é um show. É ótimo para que os alunos memorizem os conteúdos.

Mas não faz com que os alunos desenvolvam raciocínios críticos.

Professor mediador

Uma boa didática significa um tipo de trabalho na sala de aula em que o professor atua como mediador da relação cognitiva do aluno com a matéria.

Há uma condução eficaz da aula quando o professor assegura, pelo seu trabalho, o encontro bem-sucedido entre o aluno e a matéria de estudo.

Em outras palavras, o ensino satisfatório é aquele em que o professor põe em prática e dirige as condições e os modos que asseguram um processo de conhecimento pelo aluno.

O “como” e o “porquê” saber são mais importantes do que “para quê” e o “que” saber.

Muitos professores não sabem como ajudar o aluno por meio diferentes mobilizações de sua atividade mental, elaborar de forma consciente e independente o conhecimento para que possa ser utilizado nas várias situações da vida prática.

As atividades que organizam não levam os alunos a adquirir conceitos e métodos de pensamento, habilidades e capacidades mentais, para poderem lidar de forma independente e criativa com os conhecimentos e a realidade, tornando esses conceitos e métodos meios de sua atividade.

E você, que tipo de professor é?

Para saber mais: Estratégias de ensino aprendizagem e Didática.

By | 2018-09-26T21:52:12+00:00 15.08.17|0 Comentários

Sobre o Autor:

Graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, Mestre em Ciências (ênfase Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo. Trabalha com biologia geral, com ênfase em estratégicas didáticas e linguagem.

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