Uma sala em silêncio é uma sala mais produtiva?

O silêncio dentro da sala de aula pode representar construção de conhecimento?

Ou é uma das formas que o professor tem de ter domínio sobre sua turma?

Quando é pensado o ambiente escolar, logo se remete à ideia de concentração.

Ouvidos atentos ao que o professor está falando e muito silêncio para entender o que está sendo proposto.

Mas o saber não se constitui do silêncio.

Se constrói nas trocas, no diálogo, nos debates, desenvolvendo assim o senso crítico dos participantes em questão.

O aluno que pouco fala, não incomoda, não prejudica o desempenho planejado pelo professor.

Há um ponto muito discutido relacionando silêncio e disciplina.

Muitos professores falam da liberdade dentro da sala de aula e a suas consequências.

Dar liberdade, orientar os alunos em uma aprendizagem que a conversa e interação façam partes da construção dos conhecimentos é um caminho inovador e criativo.

Porém, muitas vezes, é visto como problema por alguns educadores e não como um instrumento ao seu favor na elaboração das aulas.

Desde os tempos da sua formação básica, o professor já traz como modelo um aluno obediente.

Ou seja, um aluno apenas receptor.

Quando inicia o exercício da profissão, mesmo tendo estudado teorias que dizem que a interação, o diálogo e liberdade em aula favorecem a aprendizagem, os seus costumes e determinação de manter a ordem sobressaem-se.

Com isso, muitos agem de maneira rígida e controlada para manter domínio sobre a turma e também seguirem ideais e leis que o poder determina.

As conversações entre os alunos fazem parte das suas vidas, das suas relações.

Ou seja, são aprendizagens que eles já trazem da sua rotina diária.

Conhecimentos que podem ser utilizados para dar continuidade para as outras aprendizagens pertinentes à escola.

No momento em que o professor ocupa-se com outra atividade dentro da sala de aula, como atendimentos individuais, os alunos iniciam as famosas conversas paralelas.

Que só cessarão no momento que o educador der um basta, desencadeando, algumas vezes, em ameaças e penalizações.

É porque a comunicação é proibida que ela é divertida.

Comunicar a despeito das proibições permite aos alunos manifestar uma certa solidariedade.

É uma maneira de se defender contra a instituição (e contra o professor).

De resistir à obrigação e à disciplina escolar, de desafiar a autoridade.

E também, mais simplesmente, é um meio de matar o tempo e de suportar as longas horas de escola.

Para um professor dar uma aula construtiva, não basta somente ter na sua classe bons ouvintes.

Deve avaliar o que está sendo estudado, se tem sentido e se há compreensão por parte dos alunos.

Uma das formas de perceber o entendimento das aulas é por meio do que o aluno expressa.

Tanto na sua fala com os colegas, com os professores e quanto nas relações dentro da escola.

O papel do professor não é somente dar o conteúdo para dar conta da formação dos educandos.

É necessário um outro perfil de professor que assuma que seu papel vai além de passar a matéria e avaliar se foi aprendida.

O professor deve ser um artista na sua função.

Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.

O educador pode deparar-se com situações inusitadas e complicadas dentro da sala de aula.

A comunicação e o entendimento entre os participantes neste ambiente é fator fundamental para superar e modificar essas situações.

O aluno silencioso, que não participa desses momentos de discussões e conflitos, pode ter o processo de aprendizagem comprometido.

Por isso, o professor, como agente da educação, deve relacionar sala de aula com o espaço social em que os educandos estão inseridos.

Além disso, deve conhecer e entender a subjetividade de seus aprendizes, fazer ligações e interferir nos momentos propícios que eles precisarem.

Sendo assim, a sala de aula não pode ser um lugar de silêncio.

A fala nesse ambiente é sinal que é um espaço democrático, com liberdade e condições de aprendizagem.

As salas de aulas devem ser espaços para o desenvolvimento de experiências.

Para a manipulação nem sempre muito jeitosa dos materiais.

Um ambiente com ruídos, com movimentação dos alunos, com uma certa liberdade para intervir e interferir sempre que o aluno julgar necessário.

Nesses ambientes, não existe o silêncio nem o estado de contemplação dos ouvintes, que, na realidade, já não são ouvintes, mas construtores e autores de suas próprias obras.

A relação entre o silêncio dentro da sala de aula e as aprendizagens dos discentes necessita uma profunda reflexão por parte dos responsáveis pelo processo educativo.

Essa questão deve ser avaliada e repensada.

Nem sempre o silêncio é benéfico e muito menos a conversa excessiva.

Tudo dependerá das atividades, das necessidades das aulas, as quais devem resultar num processo educativo que seja sempre favorável à formação de pessoas críticas e autônomas.

By | 2017-09-15T16:23:59+00:00 15.09.17|0 Comentários

Sobre o Autor:

Graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, Mestre em Ciências (ênfase Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo. Trabalha com biologia geral, com ênfase em estratégicas didáticas e linguagem.

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